interdisciplinaridade em sala de aula

5 dicas práticas para trabalhar a interdisciplinaridade em sala de aula

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Em um mundo hiperconectado, cujas barreiras geográficas foram praticamente extintas pela tecnologia, não cabe mais na educação um projeto pedagógico que segmenta disciplinas e restringe a construção do conhecimento às suas respectivas áreas. Dessa forma, a interdisciplinaridade em sala de aula é um dos principais elementos para ampliação da interação e aplicação prática dos conteúdos aprendidos.

Apesar de o vocábulo “interdisciplinaridade” ter ganhado força há quase 50 anos no meio universitário, com a publicação da obra Interdisciplinarity: Problems of Teaching and Research in Universities, do professor belga Leo Apostel (1973), as primeiras menções ao termo ocorreram na década de 1930.

Desafiadora para os professores, a interdisciplinaridade ainda é tema de uma discussão que se estende a todas as fases do ensino. Na educação básica, pensadores como Jean Piaget, Maria Montessori e Paulo Freire foram apenas alguns dos nomes que propuseram uma série de abordagens acerca do tema ao longo de sua vida acadêmica.

Para que você compreenda definitivamente a importância da interdisciplinaridade em sala de aula e tenha insights de como aplicá-la no desenvolvimento de seu projeto pedagógico, acompanhe este artigo até o fim e confira nossas dicas. Boa leitura!

Como a interdisciplinaridade em sala de aula contribui para o ensino?

Indispensável ao avanço da educação, especialmente ao relacionarmos os conhecimentos do currículo obrigatório ao pensamento crítico, a interdisciplinaridade figura como um dos principais mecanismos para que o aluno consiga fazer uma relação entre as matérias e perceber como os conhecimentos são interdependentes.

Por isso, um dos caminhos mais oportunos para trabalhar a interdisciplinaridade é relacionar os conteúdos a situações reais. Por meio de eixos temáticos delimitados, é possível englobar as diferentes áreas do conhecimento em prol de soluções para desafios propostos ― o que também vai ao encontro dos objetivos das metodologias ativas de aprendizagem.

Com essa sistematização, conteúdos que seriam oferecidos da maneira convencional passam a ser trabalhados de forma conjunta de acordo com os aspectos de cada disciplina.

Em um exemplo prático, se o tema for “poluição”, em vez de apenas focar nos conceitos básicos dentro de Biologia ou Ciências, é possível reunir uma série de disciplinas a partir de um problema central.

Digamos que a escola fique em uma cidade portuária. É possível incluir nos estudos o histórico de poluição das águas, os agentes químicos que costumam ser despejados, a verba pública destinada ao saneamento e como ela é distribuída, além de serem propostas soluções para a diminuição do problema.

Você consegue ver quantas disciplinas podem ser envolvidas? Ciências, História, Geografia, Matemática, Química, Português… tudo vai depender da abrangência do tema.

Graças à interdisciplinaridade, além do engajamento com o processo de ensino-aprendizagem, é possível estimular as competências e habilidades necessárias para uma formação educacional sólida, incluindo aspectos não cognitivos. Dessa forma, é fomentada a missão da escola de construir cidadãos críticos e que contribuam de fato para a sociedade.

Quais são as dicas para pôr a interdisciplinaridade em prática?

Confira, agora, 5 dicas para inserir de vez a interdisciplinaridade no projeto pedagógico de sua escola.

1. Aposte em um bom planejamento

Qualquer atividade interdisciplinar demanda uma logística que interfere na rotina escolar. Portanto, o primeiro passo para assumir a interdisciplinaridade em sala de aula é garantir que o planejamento pedagógico seja eficaz, uma vez que envolve diversos professores e pode esbarrar em uma grade curricular convencional.

Incentive os professores envolvidos a dialogar a respeito dos conteúdos em pauta nas suas disciplinas e a refletir sobre como os conceitos individuais poderiam ser entrelaçados de maneira interativa. Ao identificar temas convergentes, parta para a construção dos eixos temáticos e determine qual será a participação de cada disciplina na formação de um projeto interdisciplinar.

2. Permita que os professores tenham flexibilidade

Como dissemos no item anterior, é possível que a estrutura curricular venha a gerar problemas na aplicação de atividades interdisciplinares em sala de aula. Para evitar essa questão, os professores precisarão de certa flexibilidade na aplicação de seus conteúdos individuais.

Se necessário, oriente o corpo docente a inverter a ordem da apresentação de certos conteúdos, de maneira a acomodar satisfatoriamente a proposta interdisciplinar.

3. Aposte em atividades lúdicas

Os benefícios das atividades lúdicas são inúmeros para a educação, tanto que a gamificação já chegou até mesmo ao ensino superior. Por isso, não poupe esforços em criar atividades de cunho interdisciplinar dessa natureza.

Desde a Educação Infantil até o Ensino Médio, as possibilidades são inúmeras. A montagem de peças de teatro, o cultivo de uma horta experimental, a criação de um programa de TV e a realização de jogos coletivos são apenas algumas das alternativas para a prática interdisciplinar.

4. Utilize recursos digitais

Os recursos digitais não podem ficar de fora. Inclusive, se sua escola utiliza ambientes virtuais de aprendizagem, já tem um excelente espaço para fomento à interdisciplinaridade em sala de aula.

Os próprios professores podem criar conteúdos para que os alunos trabalhem em conjunto em suas disciplinas.

Um bom exemplo é a interpretação de conceitos de diferentes assuntos por meio de textos ou vídeos comuns. Nesse caso, cada professor vai trabalhar seus pontos de vista com base em um mesmo material digital. Incentive também a produção textual dos alunos por meio da criação de conteúdos para sites e blogs relacionados aos temas convergentes.

Aproveite também disciplinas como Robótica e Programação, pois são algumas das matérias que mais podem ser incluídas em atividades interdisciplinares, além de incentivar a cultura maker, em que os alunos “põem a mão na massa” e “aprendem fazendo”.

5. Adote materiais didáticos com proposta interdisciplinar

Existem no mercado materiais didáticos com eixos interdisciplinares. São conjuntos de livros, cadernos e apostilas com conteúdo personalizado que já sugere aos professores atividades de interdisciplinaridade.

Algumas editoras, especialmente associadas a grandes grupos educacionais, estão empenhadas em desenvolver um material vasto que inclui, até mesmo, recursos online para facilitar a vida do professor e dinamizar o aprendizado. Para escolher, faça uma pesquisa ampla, veja a experiência de outras escolas e verifique qual é o tipo de material que melhor atende aos seus ideais.

Lembre-se de que o sucesso da interdisciplinaridade em sala de aula depende de uma excelente sinergia entre os professores. Nesse sentido, essa questão deve acompanhar os programas de educação continuada promovidos por sua escola, de maneira que a prática se torne orgânica na cultura da instituição.

Se os professores estiverem totalmente familiarizados com o cotidiano interdisciplinar, até mesmo abordagens como a do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) ― que cada vez mais adota um viés interdisciplinar ― podem ser mais bem exploradas e resultar em melhor desempenho dos alunos.

Esperamos que com essas dicas você consiga explorar de forma muito mais eficiente a interdisciplinaridade em sala de aula. Antes de ir embora, aproveite para saber mais sobre o desenvolvimento de competências socioemocionais em seus alunos, algo essencial para uma visão mais humanista do ensino!

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