Pisa 2018 – Ranking de educação mundial: entenda os dados do Brasil

Nem sempre uma única estatística basta para divulgar um panorama exato da realidade. Na maioria das vezes, o procedimento mais comum é examinar diversos dados e estudos para compreender, de fato, o que está em jogo. Mas quem analisa o ranking de educação mundial elaborado pelo PISA 2018 — divulgado em dezembro de 2019 — se depara com um cenário preocupante: a amarga posição do Brasil.

Apesar de desalentadora, a situação traz novas perspectivas para o futuro. Afinal, se há uma questão unânime nesse resultado é que o país precisa investir (e muito) em educação. Não basta acompanharmos os avanços da era digital e os desafios que ela nos apresenta — é preciso adquirir competências para navegar nesse mundo novo.

A seguir, apresentaremos os principais dados do Brasil no mais recente ranking de educação mundial, além de algumas observações para que essa realidade possa ser transformada o quanto antes. Vamos conferir?

O que é o Pisa, afinal?

Realizado a cada três anos, o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) tem o objetivo de gerar indicadores que possam contribuir para a discussão da qualidade educacional nos países participantes. Assim, políticas de desenvolvimento para o ensino básico podem ser subsidiadas.

O programa também tem o propósito de verificar até que ponto as instituições públicas e particulares de cada nação estão preparando os alunos para exercerem corretamente seus papéis de cidadãos em nossa sociedade contemporânea.

Aspectos avaliados

As avaliações do Pisa analisam o desempenho escolar de alunos de 15 anos dos países participantes em três aspectos principais: leitura, matemática e ciências. Porém, uma dessas áreas cognitivas recebe maior destaque a cada edição do programa.

Em 2012, por exemplo, o foco foi em matemática; em 2015, ciências e, por fim, leitura em 2018.

Indicadores contextuais

Além de observar as competências de cada matéria, o estudo coleta informações para a composição de indicadores contextuais que permitam relacionar o desempenho dos estudantes a variáveis educacionais, socioeconômicas e demográficas. Esses dados são obtidos por meio da aplicação de questionários específicos a escolas, professores e alunos.

Ao final da pesquisa, os resultados podem ser utilizados pelos governos dos países participantes como ferramenta na definição e otimização de políticas educativas. Isso permite uma formação mais efetiva e a participação ativa dos jovens na sociedade.

Evolução das médias no PISA: Brasil vs OCDE

Evolução das médias de Leitura no PISA: Brasil vs OCDE

 

Evolução das médias de Matemática no PISA: Brasil vs OCDE
Evolução das médias de Ciências no PISA: Brasil vs OCDE

Qual a posição atual do Brasil no ranking mundial de educação?

Quando o assunto é avaliação educacional, o Pisa é uma referência mundial. Na edição de 2018, a pesquisa analisou 79 países, incluindo o Brasil.

A entidade reúne mais de 30 nações e funciona como um fórum para a discussão de questões relacionadas ao desenvolvimento e à melhoria de políticas sociais ou econômicas. Os demais integrantes do estudo foram países conhecidos como economias parceiras, isto é, nações voluntárias do programa — como o Brasil.

Divulgados no quarto trimestre de 2019, os resultados não são muito animadores para o Brasil: entre 58º e 60º lugar em leitura, entre 66º e 68º em ciências e entre 72º e 74º em matemática. A variação existe por conta margem de erro adotada pela pesquisa.

Esses números foram formados a partir da avaliação em instituições de ensino públicas e particulares. Comparando texto sobre a om a edição de 2014, o desempenho dos estudantes brasileiros teve um pequeno crescimento.

A nota de escolas particulares de elite do Brasil colocaria o país na 5º posição do ranking mundial de leitura do PISA. Já o resultado isolado de escolas públicas estaria 60 posições abaixo, na 65º entre 79 países.

guia da gestão educacional

A nota geral do Brasil está entre as mais baixas do mundo nas três áreas avaliadas, leitura, matemática e ciências. Quase metade dos estudantes não chega nem ao nível básico em nenhuma delas, destoando do desempenho dos alunos de escolas particulares do Brasil.

Confira o ranking completo

Leitura

PaísPontuação
Pequim, Xangai, Jiangsu e Guangdong (China)555
Singapura549
Macau (China)525
Hong Kong (China)*524
Estônia523
Canadá520
Finlândia520
Irlanda518
Coreia514
Polônia512
Suécia506
Nova Zelândia506
Estados Unidos*505
Vietnã**505
Reino Unido504
Japão504
Austrália503
Taipei chinesa503
Dinamarca501
Noruega499
Alemanha498
Eslovênia495
Bélgica493
França493
Portugal*492
República Tcheca490
Holanda*485
Áustria484
Suíça484
Croácia479
Letônia479
Rússia479
Itália476
Hungria476
Lituânia476
Islândia474
Bielorrússia474
Israel470
Luxemburgo470
Ucrânia466
Turquia466
Eslováquia458
Grécia457
Chile452
Malta448
Sérvia439
Emirados Árabes Unidos432
Romênia428
Uruguai427
Costa Rica426
Chipre424
Moldávia424
Montenegro421
México420
Bulgária420
Jordânia419
Malásia415
Brasil413
Colômbia412
Brunei408
Catar407
Albania405
Bósnia e Herzegovina403
Argentina402
Peru401
Arábia Saudita399
Tailândia393
Macedônia do Norte393
Baku (Azerbaijão)389
Cazaquistão387
Geórgia380
Panamá377
Indonésia371
Marrocos359
Líbano353
Kosovo353
República Dominicana342
Filipinas340
Espanham

Matemática

PaísPontuação
Pequim, Xangai, Jiangsu e Guangdong (China)591
Singapura569
Macau (China)558
Hong Kong (China)*551
Taipei chinesa531
Japão527
Coreia526
Estônia523
Holanda*519
Polônia516
Suíça515
Canadá512
Dinamarca509
Eslovênia509
Bélgica508
Finlândia507
Suécia502
Reino Unido502
Noruega501
Alemanha500
Irlanda500
República Tcheca499
Áustria499
Letônia496
Vietnã**496
França495
Islândia495
Nova Zelândia494
Portugal*492
Austrália491
Rússia488
Itália487
Eslováquia486
Luxemburgo483
Espanha481
Lituânia481
Hungria481
Estados Unidos*478
Bielorrússia472
Malta472
Croácia464
Israel463
Turquia454
Ucrânia453
Grécia451
Chipre451
Sérvia448
Malásia440
Albânia437
Bulgária436
Emirados Árabes Unidos435
Brunei430
Romênia430
Montenegro430
Cazaquistão423
Moldávia421
Baku (Azerbaijão)420
Tailândia419
Uruguai418
Chile417
Catar414
México409
Bósnia e Herzegovina406
Costa Rica402
Peru400
Jordânia400
Geórgia398
Macedônia do Norte394
Líbano393
Colômbia391
Brasil384
Argentina379
Indonésia379
Arábia Saudita373
Marrocos368
Kosovo366
Panamá353
Filipinas353
República Dominicana325

Ciência

PaísPontuação
Pequim, Xangai, Jiangsu e Guangdong (China)590
Singapura551
Macau (China)544
Vietnã**543
Estônia530
Japão529
Finlândia522
Coreia519
Canadá518
Hong Kong (China)*517
Taipei chinesa516
Polônia511
Nova Zelândia508
Eslovênia507
Reino Unido505
Holanda*503
Alemanha503
Estados Unidos*502
Suécia499
Bélgica499
República Tcheca497
Irlanda496
Suíça495
França493
Dinamarca493
Portugal*492
Noruega490
Áustria490
Letônia487
Espanha483
Lituânia482
Hungria481
Rússia478
Luxemburgo477
Islândia475
Croácia472
Bielorrússia471
Ucrânia469
Turquia468
Itália468
Eslováquia464
Israel462
Malta457
Grécia452
Chile444
Sérvia440
Chipre439
Malásia438
Emirados Árabes Unidos434
Brunei431
Jordânia429
Moldávia428
Tailândia426
Uruguai426
Romênia426
Bulgária424
México419
Catar419
Albânia417
Costa Rica416
Montenegro415
Colômbia413
Macedônia do Norte413
Peru404
Argentina404
Brasil404
Bósnia e Herzegovina398
Baku (Azerbaijão)398
Cazaquistão397
Indonésia396
Arábia Saudita386
Líbano384
Geórgia383
Marrocos377
Kosovo365
Panamá365
Filipinas357
República Dominicana336

m = resultados não publicados por “anomalias” identificadas pela OCDE. *Hong Kong (China), Holanda, Portugal e Estados Unidos: os dados não atingiram os critérios técnicos do Pisa, mas podem ser utilizados para comparação. **Os dados para o Vietnã ainda não foram integralmente validados.

Desempenho obtido em cada área

Na disciplina de foco da edição (leitura), a média nacional dos estudantes foi de 413 pontos, 12 pontos acima dos 401 pontos de média da edição anterior. Esse índice mantém os alunos das escolas nacionais atrás da média dos demais países da OCDE.

Em matemática e ciências, os alunos brasileiros obtiveram as médias de 384 e 404 pontos, respectivamente. Com esses resultados considerados bastante preocupantes, é fundamental que o país invista em inovações pedagógicas e novas metodologias de ensino que permitam aperfeiçoar o processo de aprendizagem.

A pesquisa mostra que o desempenho das escolas particulares de elite em Matemática é pior do que em leitura, na 30ª colocação, mas na média dos países da OCDE. Em Ciências, esses alunos ficam na 12ª posição, ao lado da Nova Zelândia e acima do Reino Unido e da Alemanha.

Como melhorar o desempenho brasileiro no ranking de educação mundial?

Que o Brasil ostenta inúmeros problemas relacionados à educação, todo mundo sabe. Dessa forma, o país precisa buscar maneiras mais efetivas de capacitar os professores e dar recursos para apoiar a melhoria de estudantes que apresentam baixo desempenho, bem como alterar o modo como a educação é empregada e enxergada atualmente.

Algumas ações podem ser colocadas em prática com o objetivo de melhorar a qualidade do ensino e os níveis educacionais do Brasil. Confira.

Soluções para maximizar o processo de aprendizagem

Mais do que apenas explicar o funcionamento de alguma ocorrência, é essencial desafiar os alunos a buscarem explicações para cada fenômeno. Assim, os professores devem investir em alternativas que possibilitem a maximização do processo de aprendizagem.

É preciso que os docentes apresentem questões e problemas aos estudantes, incentivando-os a utilizarem experimentos e procedimentos de pesquisa. Com essas ferramentas, é possível trabalhar todas as habilidades consideradas pelo Pisa como essenciais ao exercício da cidadania.

Uso de metodologias de ensino diferenciadas

No entanto, de nada adianta propor soluções para otimizar o aprendizado se as metodologias de ensino utilizadas continuarem ultrapassadas. Nesse contexto, o uso da tecnologia e de metodologias ativas é capaz de despertar a curiosidade do aluno, bem como incentivar uma maior participação nas atividades escolares.

Como exemplo, podemos citar a sala de aula invertida. A ideia é que o estudante absorva o conteúdo por meio do formato digital, isto é, quando chegar à sala presencial, ele já estará ciente do assunto que será desenvolvido. Eficiente e inovador, esse conceito proporciona processos, estruturas e ambientes mais adequados e atrativos à realidade do aluno.

Leia mais: O que são as metodologias ativas?

Potencialização do ensino pré-escolar

O Estado deve investir na educação de base. O ensino pré-escolar tem papel importantíssimo durante a vida estudantil e acadêmica do aluno. Dessa forma, é preciso investir na potencialização do aprendizado desde os primeiros anos escolares, para que o estudante esteja apto a receber novos conhecimentos e, ainda, consiga absorver melhor os conteúdos visualizados nos próximos períodos.

Como você pôde ver, embora a posição atual do Brasil no ranking educação mundial não seja a ideal, é possível melhorar os resultados e a qualidade de ensino no país. Para tanto, é preciso que sociedade, governo e a comunidade acadêmica se mobilizem e busquem por soluções diferenciadas, eficientes e inovadoras, com o propósito de elevar o nível escolar.

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