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Novas competências do professor: como ensinar e aprender com os millennials?

Os millennials — também chamados de Geração Y — compreendem as pessoas nascidas entre os anos 1980 e 2000. Outros nomes são atribuídos a esse grupo, como Geração do Milênio ou Geração da Internet.

Independentemente do termo usado, fato é que essas pessoas têm ditado tendências e transformado o modo como as relações interpessoais acontecem, inclusive no universo educacional, demandando, assim, novas competências do professor.

Os alunos matriculados em instituições de ensino pertencem a esse grupo. Por isso, é fundamental que as escolas observem e se adaptem ao seu estilo de aprendizagem.

Neste artigo, daremos destaque às habilidades esperadas do professor do futuro. Continue a leitura deste artigo e entenda.

Quais são as principais características dos millennials?

Antes de abordarmos as qualidades esperadas dos educadores para lidar com alunos que fazem parte dessa geração, é importante comentarmos, ainda que brevemente, sobre o que caracteriza os millennials.

Esse é um assunto que tem sido muito pesquisado, e há milhares de artigos e livros publicados sobre o tema. Essas publicações identificam predominâncias no comportamento e nas preferências dos millennials, como:

  • liberdade de expressão;
  • flexibilidade;
  • interatividade;
  • sentimento de que são especiais;
  • preferência por trabalhos em grupo;
  • dificuldade de manter a atenção em apenas uma atividade;
  • confiança em fazer diversas coisas ao mesmo tempo;
  • incompatibilidade com modelos de aulas tradicionais;
  • predileção pelas aulas práticas;
  • proximidade com figuras de autoridade nas quais podem se espelhar;
  • uso da tecnologia.

Para muitas dessas pessoas, inclusive, o envio de mensagens instantâneas por meio da internet é um de seus métodos prioritários de comunicação.

A adaptação a essas características, portanto, será essencial para a realização de um trabalho bem-sucedido junto aos millennials. A não adaptação, por sua vez, poderá culminar em defasagem no modelo de ensino, o que pode gerar consequências prejudiciais à organização, como a evasão escolar ou universitária.

Essa é uma questão de suma importância e que deve ser analisada atentamente. Ela passa pelo vínculo quase intrínseco que tem se estabelecido entre ensino e tecnologia e como isso afeta as relações entre escola e aluno.

Como a tecnologia mudou a relação entre professor e alunos?

Por um lado, é importante dizer que, embora os millennials processem a informação de formas diferentes que as das gerações anteriores, o cérebro humano preserva muitas de suas características. Sendo assim, diversos princípios para aprendizagem permanecem. Por outro lado, mudanças significativas na forma de se expressar e de absorver conhecimentos ocorreram.

Necessidade de adaptação

O fato de os millennials adquirirem as informações de forma diferente acaba por exigir do professor a adaptação a esse novo modo de aprender. No entanto, isso não significa que as habilidades e os conhecimentos conquistados nos anos anteriores de profissão não sejam mais válidos, pelo contrário: os educadores devem usá-los em conjunto com as novas competências e, assim, tornar o ensino mais eficaz.

Ensino e aprendizagem mútuos

Como o próprio título do artigo deixa claro, o professor do futuro não somente ensinará, mas também aprenderá com essa geração. Ele mesmo pode fazer parte desse grupo, o que torna essa relação ainda mais próxima. É uma via de duas mãos.

Para exemplificar a forma como a tecnologia transformou as relações em sala de aula, vamos pensar em uma situação comum em outros tempos. Algum aluno usava um equipamento eletrônico durante a aula, e o que acontecia em seguida muitas vezes era: o equipamento seria recolhido ou o professor poderia pedir para que o aluno se retirasse da sala.

Mudança de foco

O uso desses aparelhos durante as aulas poderia ser visto apenas como algo contraproducente no ambiente acadêmico. Hoje, no entanto, deve ser encarado como um aliado no processo de ensino e aprendizagem.

O uso de recursos tecnológicos é algo que está intimamente ligado às vidas dos millennials, são praticamente indissociáveis do seu dia a dia. Com isso, é de se esperar que a forma como certos profissionais atuam sofra mudanças, uma vez que lidam diretamente com essas pessoas. É o caso do professor.

Uma característica marcante dos millennials é o fato de serem indivíduos que, no geral, não veem com bons olhos modelos rígidos de ensino. Eles apreciam a flexibilidade e versatilidade para aprender.

Uso de novos ambientes de aprendizagem

Algo bastante representativo da influência da tecnologia no ensino é o surgimento e o crescimento dos cursos EAD ou híbridos. Nesses modelos, os cursos são ministrados por meio de videoaulas, muitas vezes com o uso de chats para interação entre professor e aluno em tempo real. Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVAs) oferecem suporte e possibilitam que as aulas aconteçam online.

Seja no ensino presencial, seja no ensino a distância, ajustes são necessários nas metodologias de ensino para atender às características dessa geração. Assim como em muitas situações os estudantes são multitarefas, o professor também deverá sê-lo. Por exemplo, durante uma exposição, o professor acessa a Internet para exemplificar com vídeo ou imagem uma explicação que acabou de dar.

Estabelecimento de normas claras

Falando sobre a realização de várias tarefas ao mesmo tempo, é importante mencionar que essas mudanças, mais do que nunca, fazem com que o professor precise desenvolver jogo de cintura para lidar com determinadas situações. Pode ser que a maneira como alguns estudantes se comportam — visualizando redes sociais durante as aulas, por exemplo — soe como desatenção ou descaso.

Existe, então, um equilíbrio que pode ser difícil de se atingir, mas não impossível. Ao mesmo tempo em que o professor deve contar com a tecnologia — e tudo que faz dela aplicável ao ensino —, é preciso cuidar para que esses recursos não prejudiquem o andamento do seu trabalho. Esses são os casos nos quais ser multitarefa pode ser algo negativo para a dinâmica das aulas.

Assim, é essencial estabelecer regras e deixar tudo muito claro sobre o que é permitido ou não em sala de aula — outra característica apreciada pelos millennials.

Por que são desejáveis novas competências do professor?

Ainda há muitos professores que tratam a informação na sala de aula como se ela fosse um bebedouro em um deserto. Isso já não funciona mais. Hoje, vivemos em dilúvio de informação, por isso o papel do professor passa a ser ensinar os alunos a nadar.

Pelas características que mencionamos dos millennials, o professor não está mais centralizado na cadeia de ensino. As metodologias ativas, que colocam o aluno no papel de protagonista de seu processo de aprendizagem, são, cada vez mais, usadas e têm se mostrado muito mais eficientes do que as metodologias passivas.

A aprendizagem baseada em projetos e estudos de caso, por exemplo, estimula uma postura dinâmica e crítica dos alunos. Isso pode, inclusive, ser fator determinante para o aumento da empregabilidade dos estudantes.

Na mesma direção, a educação liberal tem conquistado cada vez mais espaço justamente por isso, por estimular a autonomia e a interatividade. Até mesmo algo aparentemente simples, como a disposição das carteiras que tem sido muito usada em salas de aula — não mais em fileiras, mas em círculos — simboliza esse novo modo de lecionar.

Reestruturação das aulas

As aulas convencionais, portanto, devem ser repensadas. Não abolidas, mas, sim, reestruturadas. Os educadores precisam ter contato com as novas tecnologias de forma contínua e, mais do que isso, incorporá-las em suas rotinas escolares.

Gestão do tempo

Nesse ponto, entra a importância de uma boa gestão do tempo — dentro e fora da sala de aula. É fundamental criar um plano de estudo, mas essencial também é ter o feeling de que um certo tema ou uma certa forma de conduzir a aula esteja deixando os alunos muito dispersos e, assim, ter a capacidade de, rapidamente, propor novas atividades.

Quais são essas competências?

Vimos algumas das principais características dos millennials, como a tecnologia tem influenciado a relação entre eles e os professores e também a importância de incorporar novas competências à didática. A partir deste ponto, veremos quais são essas habilidades e maneiras de empregá-las em sala de aula.

Formação adequada para atender às demandas da nova geração

Atualizações sobre as atividades exercidas são algo positivo para qualquer profissional, mas particularmente eficazes quando se trata do ensino aos millennials.

Eles gostam de aprender por meio de recursos audiovisuais e da Internet. Sendo assim, é desejável que um professor que não esteja atualizado sobre as ferramentas tecnológicas usadas amplamente busque adquirir conhecimentos sobre elas.

É possível que a criação de um ambiente colaborativo, até mesmo, favoreça essa adaptação do professor às novas tecnologias, pois ele poderá contar com a ajuda dos alunos.

Mas isso também envolve estudos específicos para atuação no ambiente digital. Existem pós-graduações, por exemplo, que formam especialistas em ensino mediado por computador. Quando se fala em formação adequada para atender às demandas da nova geração, o letramento digital não pode ficar de fora.

Uso do microlearning

Um aprendizado efetivo tem seu início na atenção focada. Com os millennials, esses momentos podem ser mais difíceis de serem identificados pelo professor.

Essa geração foi criada em um ambiente cercado por diferentes canais de mídia e está acostumada a mudar seu foco de atenção a todo momento. Sendo assim, o modo de digerir informação é diferente: é como se ocorresse em pequenas e continuadas doses, não por meio de exposições longas.

Microlearning, como o nome sugere, consiste em ensinar de forma mais gradativa, com temáticas sendo divididas em blocos menores e conteúdo mais acessível.

Uma técnica possível de ser aplicada é a regra de 10: a cada 10 minutos — pode ser até mais, dependendo do tema abordado — mudar o que está sendo feito em sala de aula. Por exemplo, a aula está sendo ministrada em formato de palestra, então o professor abre para debate ou exibe algum vídeo após passado esse tempo estipulado. Em seguida, ele pode voltar ao formato anterior ou seguir para outro.

Educação criativa

Uma das coisas que mais pode criar e manter motivação nos alunos é o estímulo à criatividade. O conceito de gamificação tem atraído cada vez mais atenção da comunidade acadêmica, pois o uso de jogos e o ensino lúdico — inclusive para adultos — costuma favorecer a criação e o engajamento dos alunos com relação aos conceitos abordados — e até além.

A educação criativa permite valorizar a diversidade com o melhor que cada um pode contribuir. Sendo assim, é interessante que o professor saiba identificar a individualidade dos alunos e trazer perspectivas que ajudem um a enxergar o outro e suas especificidades.

A educação criativa pode, entre outras atividades, envolver observação de situações, análise, proposição de soluções, tomadas de decisão e interpretação de papéis.

Palavras e ações como dinâmica, investigação, compreensão e produção devem ser presença constante nas aulas.

Design thinking

Mesmo tendo sua origem na área de design, esse conceito começou a ser aplicado no âmbito educacional. Isso porque o pensamento por meio do design — proposta do design thinking — permite que soluções criativas, simples e funcionais sejam criadas a partir de seus processos.

Sobretudo por priorizar a construção de conhecimentos por meio da comunicação coletiva e focar na empatia para isso, o design thinking pode ser adaptado na educação.

Quando nos referimos à empatia, nesse caso, é tentar pensar como o próximo e se colocar no lugar dele — no caso, do aluno — para construir estratégias de ensino que tenham valor para essas pessoas e transmitam com clareza o que se quer dizer.

Por meio do design thinking, as ideias são arranjadas de maneira prática, a partir dos visual thinkings — que podem ser formados por diferentes símbolos e cores e apresentados em forma de organogramas, fluxos, entre outros.

O projeto Design Thinking para Educadores organiza esse processo nas seguintes etapas:

  • descoberta: aqui, é preciso entender quais são as necessidades que as partes envolvidas no processo têm. Esse é um momento para inspiração, de abrir os olhos e as mentes para refletir sobre o tema proposto. Esses pensamentos formarão a base para as ideias criadas futuramente;
  • interpretação: esse segundo passo consiste em compartilhar histórias e pensamentos, interpretando-os a partir disso. Essa ação pode gerar insights que levarão à ideação;
  • ideação: enquanto nas etapas anteriores a autorreflexão e o compartilhamento serviram para construir as bases para a criação de ideias, nesse ponto, elas serão, de fato, geradas;
  • experimentação: é quando as ideias “ganham vida”, ou seja, saem do plano imaginário e se tornam tangíveis;
  • evolução: consiste em pensar nas próximas etapas, em itens que podem ser aprimorados.

Elementos visuais

O uso de muitos componentes visuais também é essencial. Os alunos retêm atenção e respondem melhor quando o tema está contextualizado com esses elementos.

Seja uma aula de História sobre o Muro de Berlim, seja uma aula de Biologia sobre divisão celular sendo ministrada, entre outros tantos assuntos, o uso de vídeos e fotos para ilustrar as matérias é um elemento atrativo. Todas as áreas podem se beneficiar disso, mesmo as mais teóricas ou subjetivas.

Outra ação que realmente pode captar a atenção dos millennials é a narrativa de histórias por meio dos recursos visuais, mas não qualquer história: uma na qual eles possam se ver de alguma forma. Pessoas pertencentes a esse grupo geralmente se identificam fortemente com diferentes formas de entretenimento.

Interatividade

A interatividade nunca antes foi tão presente nas salas de aula — e fora delas também. Como dissemos, até mesmo a organização das cadeiras mudou em muitos ambientes escolares para estimular e facilitar essa interação. As pessoas podem olhar mais facilmente umas para as outras e o professor aparece como um mediador.

O modelo de aula tradicional, como uma palestra apenas, também está em desuso. Ele não deve ser abolido, mas, sim, sofrer alguns ajustes, como trazer momentos de interação. O professor deve fazer perguntas, incentivar os estudantes a darem exemplos, a compartilharem informação e também a exporem suas dúvidas.

O simples uso de ferramentas como o Google Docs pode aguçar a escrita colaborativa. As wikis, por exemplo, são mecanismos eficientes para esse fim.

Elas são atividades colaborativas nas quais cada membro de um grupo ou mesmo da sala inteira pode fazer suas contribuições, assim como editar livremente os textos dos colegas. Essas são atividades que tendem a suprir os interesses dos millennials: elas encorajam os estudantes a pensarem de forma crítica sobre o que estão escrevendo, uma vez que esse conteúdo será lido e poderá ser editado por outras pessoas.

Bilinguismo

Tendo em vista que o mundo é cada vez mais global, uma competência relevante de ser adquirida pelo professor é a proficiência em mais de um idioma.

Isso vale não somente para o entendimento de materiais escritos e falados em outras línguas, mas também para questões mais práticas, como a interação com estudantes de outras nacionalidades ou professores convidados de outros países.

Ser um professor do futuro envolve ser globalizado, e isso, muitas vezes, passa pela capacidade de se comunicar e compartilhar conhecimentos em outra língua.

Inclusão digital

Esse item talvez seja o que mais demandará esforços do educador no sentido de adaptação e desenvolvimento de novas competências, por isso mesmo será o mais longo entre os que apresentamos.

É preciso levar em conta que nem todos têm predisposição ou conhecimento suficiente para se incluírem digitalmente. No entanto, essa é uma demanda cada vez mais latente e o fato de não se adaptar a ela pode prejudicar o trabalho do professor. A inclusão digital pode acontecer de várias maneiras.

Alguns exemplos práticos são o YouTube ou outras plataformas de vídeo e as redes sociais. Para aquele educador mais desinibido, o uso do YouTube pode ir além, com a criação de um canal próprio, no qual possa compartilhar vídeos gravados por ele mesmo.

Outro elemento que marca a inclusão digital são os podcasts — ferramentas para transmissão de arquivos multimídia na Internet criados elaborados pelos próprios usuários. Simples de serem criados e manipulados, eles podem ser usados para tratar sobre diversos temas.

O professor pode fazer uma pré-apresentação sobre um tópico a ser abordado em sala de aula. É possível, até mesmo, criar aulas inteiras por meio desse recurso. Os estudantes podem ouvir pelos seus smartphones via streaming — tipo de transmissão instantânea de dados de áudio e vídeo por meio de redes — ou fazer o download dos arquivos. Eles também podem ser incentivados a gravarem seus próprios podcasts em alguma atividade dirigida.

Qual o papel da gestão da escola no desenvolvimento dessas competências?

Até aqui, nos concentramos em abordar a relação entre professor e alunos. No entanto, é fundamental contar com o apoio da gestão da escola para que essas iniciativas e mudanças de comportamento e maneiras de ensinar deem certo.

Isso ocorre tanto no plano discursivo quanto no plano técnico, de fornecer as ferramentas necessárias ao desenvolvimento desse novo modo de lecionar e de se relacionar.

Muitos sistemas de gestão atualmente ajudam na comunicação entre alunos e professores, pais e professores, professores e coordenação e tantas outras possibilidades.

Mas o papel desses sistemas é bastante amplo: realizam a gestão acadêmica das instituições de ensino, o acompanhamento da execução do projeto pedagógico, entre outras atividades.

Para os alunos: falamos em outro ponto deste artigo sobre a autonomia dos millennials. Um sistema de gestão permite que os alunos acessem com facilidade informações importantes de sua vida acadêmica e possam realizar diversas ações, como requerimento de documentos, entre outras, apenas usando o ambiente virtual.

Para os professores, gestores e coordenadores: controle de carga horária, lançamento de notas e faltas, créditos diversos e atividades complementares.

Sistemas de gestão mais modernos garantem, ainda, a adaptação de recursos visuais, com possibilidade de ajuste de layout, por exemplo.

Outro elemento importante proporcionado por um sistema de gestão escolar é a criação de relatórios, que facilitarão a análise de dados referentes às atividades da organização. Tanto o gestor quanto o professor podem fazer uso desses recursos para otimizar suas rotinas.

Aqui, cabe também uma menção à importância do acervo acadêmico digital, que abrigará toda a documentação de uma organização. O acervo é como se fosse a memória da instituição em formato digital. Todos os documentos produzidos e recebidos fazem parte desse conjunto.

O letramento digital também será útil nesses casos, já que permitirá ao professor lidar mais naturalmente com tais procedimentos no ambiente virtual.

Ao longo deste artigo, mostramos que novas competências do professor são necessárias para atender as demandas dos millennials e sua nova forma de absorver conteúdos. Isso mostra como é determinante o papel do professor na retenção de alunos.

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