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Como planejar cursos EAD: gravar aulas presenciais não é o suficiente

Com o passar do tempo, pode-se dizer que a forma de conduzir e planejar cursos EAD (educação a distância) mudou bastante. Para atender uma nova geração de alunos, não basta mais gravar as aulas presenciais e reutilizá-las.

A chegada de novas tecnologias foi decisiva para alterar esse panorama — inovações educacionais foram desenvolvidas e alterou-se a percepção sobre a relação ensino-aprendizagem. Levando isso em consideração, preparamos este texto. Leia o conteúdo até o fim para saber mais a respeito!

A evolução dos cursos EAD ao longo tempo

Os mais antigos registros de ensino a distância datam do século XVIII: as aulas eram feitas por meio de cartas. Era possível encontrar anúncios de cursos de matemática nos jornais, por exemplo.

Depois, já no século XX, os recursos de vídeo apareceram e começaram a ser utilizados com esse propósito. Surgiram as teleaulas (ou videoaulas), que consistiam na gravação de vídeos para aparelhos de VHS.

Com a chegada da internet no país, a ideia foi “pegar” a aula presencial, filmá-la e disponibilizá-la na web para que as pessoas pudessem acessá-la. Ou seja, não havia diferença entre esse conteúdo e o visto na sala de aula física.

O problema dessa prática é que ela não aproveitava todo o potencial da internet. Afinal, usar o que era feito presencialmente originava, na maioria dos casos, uma aula passiva, distante dos preceitos da aprendizagem ativa — metodologia que tenta envolver e dar aos alunos mais autonomia sobre seus processos de aprendizado.

Fato é que a procura pelos cursos EAD só cresce, segundo o Inep/MEC. As graduações que melhor exemplificam isso são Pedagogia, Administração e Serviço Social. Sendo assim, é fundamental se preparar adequadamente para oferecê-las.

O papel da tecnologia na Instituição de Ensino

A tecnologia permite, entre outras possibilidades, realizar o compartilhamento rápido de informações. Isso auxilia a descentralização do poder das IES (Instituições de Ensino Superior) e dos docentes sobre o conhecimento. O ensino a distância, as simulações, a interatividade e a gamificação são algumas das maneiras de comprovar isso na prática.

Um ensino baseado somente no conteúdo pode ser muito desgastante para a comunidade acadêmica. Nesse contexto, um curso formado somente por aulas expositivas, por exemplo, tende a ser desestimulante. Portanto, há a necessidade de se pensar nas estratégias metodológicas usadas para transmitir esses conteúdos.

Devido às novas tecnologias educacionais, às modificações na educação e à mudança de comportamento dos alunos, o papel do professor deve ser repensado, tanto a distância quanto presencialmente. No EAD, porém, é preciso ir ainda mais além nessa questão.

As novas formas de aprender na era digital

No ensino a distância, os alunos têm um ambiente virtual de aprendizagem (AVA) à disposição. Assim, a sala de aula pode ser no celular, no computador ou no tablet etc. Nesse sentido, a flexibilidade do aprendizado desponta como um elemento fundamental.

Se o aluno assumiu o protagonismo de seu progresso, os cursos EAD precisam ser planejados para auxiliá-lo em seu desenvolvimento autônomo. É por conta disso que a gravação das aulas não é mais suficiente. Esse método não usa todo o potencial da era digital e apenas reproduz o que se passa em uma aula tradicional: centrada no docente, expositiva, excesso de conteúdo e assim por diante.

Além disso, as instituições devem repensar a formação dos docentes que ministram cursos a distância. O professor precisa estar preparado para saber como engajar o aluno no ambiente virtual.

As trilhas de conhecimento são exemplos de uma estratégia efetiva para aproveitar melhor esses ambientes virtuais. Elas mostram exercícios para que o aluno resolva e possa progredir de forma gradativa, segundo as notas obtidas. Quem tem um bom desempenho pode ir adiante. Em contrapartida, aqueles que não se saem tão bem passam por outras atividades e recebem conteúdos de reforço.

Assim, é possível entender melhor o momento dos discentes e garantir que avancem em seu próprio tempo, retendo as informações necessárias e aprendendo os principais conceitos de maneira adequada.

Como funciona o processo de ensino-aprendizagem em EAD

Dos recursos multimídia ao uso de pequenos jogos, são muitas as opções advindas com a implementação do EAD. Por isso, o processo de ensino-aprendizagem em EAD precisa considerar uma série de possibilidades que antigamente não podiam ser utilizadas.

As chamadas “pílulas de conhecimento” representam isso muito bem. São aulas curtas — de 3 a 10 minutos —, nas quais o professor explica os conceitos mais relevantes. Trata-se de uma aula mais objetiva, em forma de vídeo. A finalidade é que o aluno não gaste muito tempo e absorva o conteúdo. Elas são ainda mais efetivas quando acompanham alguma atividade, como questões ou exercícios interativos.

Outra opção interessante é recorrer às videoaulas gravadas em tempo real. Elas aproximam alunos e professores e podem ser bem-vindas para explicar algum tema mais complexo.

Como planejar cursos EAD

Em suma, a implementação de cursos EAD, bem como seu sucesso em termos de ensino-aprendizagem, depende muito do planejamento. É fundamental definir um objetivo da instituição em relação aos cursos oferecidos nesses moldes.

Além disso, oferecer o ensino a distância não se resume à contratação ou ao treinamento dos professores. Para preparar trilhas de aprendizagem efetivas, é preciso contar com designers instrucionais, alguém que sintetize as informações e profissionais de audiovisual para orientar as gravações. Uma equipe de TI também é importante.

Para se certificar de que as estratégias adotadas atinjam os objetivos esperados, também é imprescindível checar o que é entregue aos alunos e como eles estão reagindo a isso. Portanto, a aplicação de pesquisas de satisfação deve ser recorrente.

Deve-se pensar também na retenção dos alunos, para que não abandonem os cursos. Isso acontece quando o aluno não vê valor no que está recebendo. Por consequência, um bom curso EAD deve contribuir realmente com a sua evolução. Uma forma de fazer isso é mostrar as etapas que já foram avançadas durante o aprendizado.

Enfim, planejar cursos EAD vai além de gravar aulas presenciais e disponibilizá-las na web. É essencial oferecer algo que traga a real sensação de desenvolvimento para a comunidade acadêmica.

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