A conclusão do curso marca o fim de uma etapa importante da jornada acadêmica. Para a instituição de ensino, porém, acompanhar o que acontece depois da formação pode gerar informações relevantes sobre a trajetória de seus egressos e sua inserção no mercado de trabalho.
Os resultados do Indicador ABMES/Symplicity de Empregabilidade (IASE) 2026 ajudam a dimensionar essa discussão. Entre os 10.317 egressos participantes da pesquisa, 85,2% estavam trabalhando entre 9 e 19 meses após a colação de grau. Desse total, 67,2% atuavam na área de formação.
Para além de um retrato da empregabilidade, esses números levantam uma questão para as instituições: o quanto a IES conhece sobre a trajetória de seus estudantes depois da formação?
É nesse contexto que a gestão de egressos ganha espaço. Acompanhar esses profissionais de forma estruturada pode ajudar a instituição a compreender resultados da formação, identificar diferentes trajetórias e produzir indicadores que apoiem a gestão educacional.
O que é gestão de egressos?
A gestão de egressos pode ser entendida como um processo contínuo de acompanhamento e relacionamento com estudantes que já concluíram sua formação.
Isso vai além de manter um cadastro atualizado de ex-alunos. Dependendo dos objetivos da instituição, o acompanhamento pode considerar informações sobre situação profissional, área de atuação, tipo de vínculo, continuidade dos estudos e outros aspectos da trajetória após a conclusão do curso.
O próprio IASE foi desenvolvido como uma referência para acompanhar a trajetória profissional de egressos brasileiros. Entre os aprendizados de experiências internacionais apresentados pelo estudo estão quatro elementos importantes: definir a coorte que será acompanhada, estabelecer o momento da coleta, utilizar um instrumento comum e repetir o acompanhamento com novas coortes ao longo do tempo.
Essa continuidade é importante porque uma pesquisa pontual oferece um retrato de determinado momento. Uma estratégia recorrente permite construir uma base histórica e observar como os resultados mudam ao longo do tempo.
Por que acompanhar egressos é importante para a IES?
Quando a instituição acompanha apenas a jornada até a conclusão do curso, uma parte importante da trajetória fica fora de sua visão: o que acontece quando esse estudante chega, ou retorna, ao mercado de trabalho.
A gestão de egressos amplia essa perspectiva.
Entender os resultados da formação no mercado de trabalho
Indicadores de empregabilidade ajudam a compreender como os egressos estão se posicionando profissionalmente após a conclusão.
No IASE 2026, 85,2% dos participantes declararam estar trabalhando, enquanto 12,6% estavam procurando trabalho e 2,2% não trabalhavam nem estavam buscando uma ocupação.
Essas informações não devem ser interpretadas isoladamente como uma medida da qualidade de um curso ou da instituição. Elas podem, no entanto, compor uma visão mais ampla sobre os caminhos percorridos pelos profissionais formados.
Identificar a relação entre formação e atuação profissional
Estar empregado e atuar na área de formação são indicadores diferentes, e essa distinção pode trazer informações relevantes para a gestão.
Dos participantes do IASE 2026, 67,2% declararam trabalhar na área em que se formaram. Outros 9,4% trabalhavam fora da área por opção.
Ao acompanhar esse tipo de informação em sua própria realidade, a IES pode compreender melhor as trajetórias associadas a diferentes cursos e perfis de estudantes.
Produzir informações para apoiar decisões
Os dados dos egressos também podem abrir novas perguntas para a gestão.
Em quais áreas os profissionais formados pela instituição estão atuando? Como essa trajetória varia entre cursos? Quantos seguem estudando? Como a inserção profissional evolui após a conclusão?
Não se trata de buscar uma única métrica de sucesso, mas de reunir evidências que complementem outros indicadores acadêmicos e institucionais.
O que o IASE 2026 mostra sobre a trajetória dos egressos?
Além de apresentar a situação profissional dos participantes, o IASE compara informações declaradas sobre dois momentos: a matrícula e a situação no momento da pesquisa.
A chamada inserção favorável, definida pelo estudo como trabalhar na área de formação ou fora dela por opção, passou de 43,2% na matrícula para 77,2% no momento da pesquisa. Entre os participantes que informaram renda nos dois períodos, 73,4% também declararam ter avançado de faixa de renda.
Outro resultado chama atenção para o papel percebido da instituição. Entre quem declarou não ter recebido apoio institucional e quem classificou esse apoio como essencial, o estudo encontrou uma diferença de 11,5 pontos percentuais na empregabilidade.
Quando o recorte é a atuação na área de formação, a diferença chega a 27,8 pontos percentuais entre os extremos de percepção de apoio, a maior associação encontrada pelo estudo envolvendo um aspecto sob gestão da instituição.
É importante observar os limites desses resultados. O próprio IASE ressalta que essas são associações observadas, e não relações de causa e efeito. Além disso, a amostra é voluntária e não probabilística, o que impede a generalização direta dos resultados para todos os egressos do país.
Ainda assim, os dados ajudam a demonstrar quantas dimensões podem ser observadas quando a trajetória profissional passa a fazer parte do acompanhamento realizado pelas instituições.
Quais dados sobre egressos a instituição pode acompanhar?
Não existe uma única estrutura de gestão de egressos adequada a todas as IES. Os indicadores precisam estar relacionados aos objetivos e à realidade de cada instituição.
Algumas informações, entretanto, podem ajudar a construir esse acompanhamento:
- situação profissional: se o egresso está trabalhando, procurando uma oportunidade ou seguindo outro caminho;
- área de atuação: se existe relação entre a atividade profissional e a formação realizada;
- tipo de vínculo: emprego formal, atuação autônoma, empreendedorismo ou outras formas de trabalho;
- trajetória profissional: como a situação do egresso evolui ao longo do tempo;
- continuidade da formação: ingresso em novas graduações, especializações ou outras experiências educacionais;
- relacionamento com a instituição: participação em iniciativas, programas e oportunidades oferecidos pela IES.
O IASE, por exemplo, combina indicadores relacionados a empregabilidade, área de formação, vínculo profissional e renda. O objetivo não precisa ser reproduzir esse modelo dentro da instituição, mas entender quais informações fazem sentido para responder às suas próprias questões de gestão.
Empregabilidade não começa depois da formatura
A discussão sobre egressos também pode ser ampliada para o que acontece antes da conclusão do curso.
Experiências acadêmicas, desenvolvimento de competências, estágios e conexão com oportunidades profissionais fazem parte de uma trajetória que começa durante a formação e continua depois dela.
Microcertificações podem dar visibilidade às competências ao longo da jornada
Nesse contexto, as microcertificações permitem reconhecer conjuntos específicos de disciplinas e conhecimentos desenvolvidos pelo estudante ao longo de sua formação.
No Lyceum, é possível organizar grupos de disciplinas, monitorar automaticamente o cumprimento dos requisitos definidos pela instituição e disponibilizar a emissão da microcertificação pelo portal.
Assim, além da formação principal, a instituição pode estruturar reconhecimentos intermediários que deem visibilidade a diferentes etapas e competências desenvolvidas durante a jornada acadêmica.
A conexão com oportunidades também faz parte dessa trajetória
A aproximação entre formação e mercado também passa pela conexão dos estudantes com oportunidades de estágio, carreira e emprego.
Por isso, a tecnologia de gestão educacional não precisa funcionar de maneira isolada. O Lyceum pode se integrar a parceiros especializados em empregabilidade, como Workalove e Symplicity, conectando iniciativas de carreira ao ecossistema de gestão da instituição.
Esse tipo de integração contribui para aproximar diferentes momentos de uma mesma trajetória: formação, desenvolvimento de competências e inserção profissional.
Como transformar dados de egressos em informação para a gestão?
Coletar dados é apenas uma etapa. Para que o acompanhamento de egressos seja útil à gestão, essas informações precisam ser organizadas e analisadas de acordo com perguntas relevantes para a instituição.
Na prática, o processo pode seguir uma lógica de:
coletar → organizar → integrar → analisar → acompanhar indicadores → apoiar decisões.
Quando informações sobre a trajetória profissional podem ser relacionadas a dados acadêmicos e outros indicadores institucionais, a IES amplia sua capacidade de analisar diferentes contextos.
Isso pode ajudar, por exemplo, a observar padrões entre cursos e perfis de estudantes, acompanhar mudanças entre diferentes turmas e identificar temas que merecem uma análise mais aprofundada.
A tecnologia tem papel importante nesse processo ao facilitar a organização e a integração das informações. Mas o ponto de partida continua sendo estratégico: quais perguntas a instituição deseja responder com os dados de seus egressos?
Gestão de egressos deve ser um processo contínuo
A trajetória profissional não é estática. Por isso, acompanhar egressos apenas uma vez limita o que a instituição consegue observar.
Entre as referências internacionais apresentadas pelo IASE estão modelos que repetem a coleta a cada nova coorte, permitindo formar séries históricas e construir referências ao longo do tempo.
Para as IES, essa lógica ajuda a transformar o acompanhamento de egressos de uma iniciativa pontual em uma fonte contínua de informação.
A gestão de egressos pode ajudar a compreender trajetórias, acompanhar indicadores e ampliar a base de informações disponível para decisões acadêmicas e institucionais.
Quer conhecer como o Lyceum pode apoiar uma gestão educacional mais integrada e orientada por dados? Fale com um especialista.
Perguntas frequentes sobre gestão de egressos
O que é gestão de egressos?
Gestão de egressos é o acompanhamento estruturado de estudantes após a conclusão da formação. Pode envolver relacionamento com ex-alunos e coleta de informações sobre trajetória profissional, empregabilidade, área de atuação, continuidade dos estudos e outros indicadores relevantes para a instituição.
Por que acompanhar os egressos de uma IES?
O acompanhamento permite conhecer melhor o que acontece após a formação e produzir informações sobre inserção profissional, atuação na área e diferentes trajetórias dos egressos. Esses dados podem complementar outros indicadores utilizados pela gestão educacional.
Quais dados podem ser acompanhados sobre os egressos?
A IES pode acompanhar, entre outros aspectos, situação profissional, área de atuação, tipo de vínculo, continuidade dos estudos e evolução da trajetória profissional. A definição dos indicadores deve considerar os objetivos de cada instituição.
O que é empregabilidade no ensino superior?
Empregabilidade está relacionada à inserção dos egressos no mercado de trabalho. No IASE, especificamente, a taxa considera a parcela dos respondentes que declarou estar trabalhando, dentro ou fora da área de formação, entre 9 e 19 meses após a colação de grau.
Como a tecnologia pode ajudar no acompanhamento de egressos?
A tecnologia pode apoiar a organização, integração e análise de informações acadêmicas e profissionais, facilitando a construção e o acompanhamento de indicadores. Também pode conectar a gestão educacional a outras soluções e parceiros que participam da jornada de formação e empregabilidade.
