Dívida do brasileiro com educação é menor que em outros setores, diz SPC

Desde 2012 a inadimplência não era menor que em outros setores.
No setor, gastos com ensino médio representam 43% do total.

Evolução de dividas

A inadimplência no segmento educação ficou abaixo do verificado em outros setores da economia no mês de maio, de acordo com levantamento do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) divulgado nesta quarta-feira (17) .

De acordo com o levantamento, é a primeira vez desde 2012 que o setor educação fica abaixo da média geral.

O levantamento aponta que a diminuição na quantidade de dívidas no setor educação também é menor que em outros setores mesmo se considerado o acumulado do ano.

A economiaEspecialista avalia retorno ao mercado
“A economia está ruim e as famílias estão com a renda menor. Quando isso acontece, todos [os membros da família] voltam ao mercado de trabalho”, explica Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil.

A economista explica que os jovens universitários estão buscando meios próprios para pagar as faculdades e isso ajuda a diminuir a inadimplência.

Mesmo em queda, Marcela ressalta que o índice ainda é alto.

“Vimos a inadimplência crescer muito forte até o final do ano passado, mas agora em maio está em queda. Isso não quer dizer que a inadimplência está comportada, mas sim que ela está caindo de uma base muito alta, já que vinha crescendo acima de 15% em 2013 e 2014”.

VimosEducação x outros setores
No total dos outros setores, houve aumento acumulado nos cinco primeiro meses do ano de 4,63% nas dívidas. Em educação, o aumento foi de 0,87%.

No mesmo período do ano passado, os percentuais eram 3,29% (outros setores) contra 8,10%.

Segundo a análise do SPC, apesar do setor educação, houve piora significativa nos índices da inadimplência geral.

Para a empresa, isso é resultado da pressão exercida pela inflação, aumento da taxa de juros e piora de indicadores econômicos, como renda e emprego.

Dívida é maior no Ensino Superior
Enquanto o número de dívidas no país aumentou 6,70% na comparação anual, o número de dívidas no segmento educação cresceu 4,29%. No setor, os estudantes de nível superior respondem por 43,48% do total de dívidas no seguimento.

Em segundo lugar vêm outras atividades de ensino (33,70%) e por fim a educação de ensino infantil, fundamental e médio (15,04%).

“O número de pendências com instituições de Ensino Superior é quase três vezes maior que o número pendências com instituições de Ensino Básico. Isso se explica pelo fato de que as matrículas em escolas privadas do fundamental e médio concentram extratos de renda mais elevados, ao passo que o Ensino Superior tornou-se mais acessível à população com  menor renda”, explica o levantamento.

Entretanto, a análise aponta para um decréscimo da inadimplência no ensino superior. No acumulado de janeiro a maio em 2014, o crescimento das dívidas não pagas foi de 16,8%. No mesmo período deste ano, o segmento teve uma variação negativa de -2,5%.

Em busca de financiamento
Uma das alternativas para quem busca ensino privado é o Programa de Financiamento Estudantil (Fies), do Ministério da Educação. Entretanto, neste ano ele sofreu uma série de mudanças com a implantação de novas regras no início do ano.

A economista-chfe do SPC, Marcela Kawauti, esclarece que isso não foi o suficiente para fazer o total da inadimplência no ensino superior crescer.

“O Fies ainda representa uma pequena parte de um total [do ensino superior]”, esclarece a economista.

A estudante Nathalia Campos não conseguiu se inscrever no Fies deste ano. No início do semestre, ela pegou um empréstimo no banco para pagar as duas primeiras mensalidades do curso de medicina na Faculdade Brasileira (MultiVix), em Vitória. Mas sem o financiamento estudantil, ela adquiriu uma dívida de quase R$ 40 mil com o banco e a instituição de ensino.

“Vou ter que pagar o semestre inteiro. Não me deram desconto, só mais tempo para pagar”, conta Nathalia. A estudante conseguiu a ajuda de um tio para pagar quatro mensalidades da faculdade, mas sem o Fies ela não terá condições de continuar estudando. “Vou esperar pelo Fies, mas se não conseguir, vou ter que trancar”.

Fonte: G1/ Educação

Site oficial: http://g1.globo.com/educacao/noticia/2015/06/divida-do-brasileiro-com-educacao-e-menor-que-em-outros-setores-diz-spc.html

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