Criatividade na educação

Saiba como estimular a criatividade na educação

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Para entender como estimular a criatividade na educação, primeiro é preciso compreender que qualquer pessoa pode ser mais criativa, basta que ela tenha os estímulos corretos. A pergunta é: será que estamos oferecendo os estímulos certos para tornar os alunos mais criativos?

Quando uma universidade separa aulas em disciplinas que não se relacionam, ela está estimulando os alunos a resolverem problemas com diferentes conhecimentos? Quando um professor ensina um conteúdo de cima para baixo, como uma verdade absoluta, está estimulando o aluno a ter pensamento crítico?

Neste artigo, vamos ajudar você a entender melhor o que é criatividade e como estimulá-la. Confira!

O que é criatividade?

Criatividade é a capacidade de o ser humano construir algo inédito ou original em prol de um objetivo.

Algumas pessoas entendem erroneamente criatividade como algo nato, um dom de um indivíduo, quando, de fato, a criatividade é uma habilidade adquirida para criar, inventar e inovar, seja no meio artístico ou científico. Para a sociologia, a imaginação construtiva surge a partir de três variáveis:

  • o campo (os grupos sociais);
  • o domínio (a área ou a disciplina);
  • o indivíduo.

De uma forma geral, um sujeito criativo tem um contexto social propício, domínio de uma área ou disciplina, confiança em si mesmo, sensibilidade de percepção, capacidade intuitiva, imaginação, entusiasmo e curiosidade intelectual.

Agora que você entendeu um pouco melhor o que é criatividade, entenda o desafio.

Por que estimular a criatividade?

O mundo está mudando cada vez mais rápido, já não vivemos uma era de mudanças, vivemos uma mudança de era, conforme Chris Andersen afirma há alguns anos. Muito além do jogo de palavras, essa afirmação leva à reflexão de que a era industrial ainda não terminou, mas a era digital já começou. E, ao contrário da era que está por acabar, a era digital privilegia as conexões, o pensar sistemicamente e valoriza a multidisciplinaridade ao invés da especialização.

Para entender melhor a implicação dessas mudanças, saiba que estudos da Universidade de Michigan apontaram que o prazo de validade de uma habilidade, que poderia ser de até 30 anos, caiu para apenas 5 anos. Por isso, ensinar o aluno a aprender a aprender e estimular a criatividade no processo educacional é cada vez mais importante.

Além disso, na pesquisa It takes more than a major: employer priorities for college learning and student success, realizada pela AAC&U and Hart Research Associates, aponta-se que os empregadores buscam um novo perfil de profissional. Confira alguns indicadores relevantes:

  • 95% dos empregadores priorizam “contratar pessoas com as habilidades intelectuais e interpessoais que os ajudarão a contribuir para a inovação no local de trabalho”;
  • 93% dos empregadores concordam que “os candidatos demonstrarem capacidade de pensar de forma crítica, comunicar-se claramente, e resolver problemas complexos é mais importante do que o curso de graduação;
  • 93% dos empregadores dizem que eles estão “pedindo para os funcionários assumirem mais responsabilidade e usarem um conjunto mais amplo de habilidades do que no passado”.

O Fórum Econômico Mundial (FEM) aponta que, até 2025, um em cada três postos de trabalho devem ser substituídos por tecnologia. Uma série de profissões será transformada enquanto tantas outras serão extintas.

Portanto, o modelo tradicional de ensino, em que o estudante é passivo em relação às informações recebidas e estuda com objetivo de ter boas notas e passar de ano, é cada vez mais criticado e substituído por metodologias ativas de aprendizagem.

O mercado de trabalho busca profissionais mais criativos, sendo assim, formar colaboradores para tarefas meramente operacionais significa não preparar o aluno para a indústria 4.0.

O que fazer para estimular a criatividade?

A proposta para aumentar a criatividade é investir para potencializar as três variáveis: campo, domínio e indivíduo.

Instituições renomadas, como Harvard e MIT, já adotam a educação liberal com o objetivo de proporcionar o desenvolvimento integral do ser humano.

A proposta é capacitar os alunos a desenvolver um senso de responsabilidade social, bem como fortes habilidades práticas e intelectuais que abrangem todas as áreas de estudo, tais como as habilidades de comunicação, análise de dados e de resolução de problemas. Com isso, inclui uma capacidade demonstrada para aplicar conhecimentos e habilidades em configurações do mundo real.

Em paralelo, deve-se investir em ações que resultam no processo criativo ao serem colocadas em prática, são elas:

  • Atenção: refere-se ao momento que a pessoa enxerga um problema ou uma oportunidade;
  • Fuga: o indivíduo deixa de pensar apenas na realidade presente e abre a mente para novas conexões;
  • Movimento: a pessoa explora sua imaginação, gera novas ideias e faz conexões inéditas.

As metodologias ativas de aprendizagem são grandes aliadas do estímulo à criatividade. Afinal, a proposta é deixar que o aluno possa aplicar suas competências e conhecimentos na prática com atividades guiadas por um profissional experiente.

Um bom exemplo de estratégia pedagógica eficaz para desenvolver a capacidade de resolução de problemas nos alunos, é a Aprendizagem Baseada em Projetos, que pode unir várias disciplinas para construção de conhecimento por intermédio de um trabalho longo e contínuo de estudo, cujo propósito é atender a uma indagação, a um desafio ou a um problema.

Junto com as informações teóricas, a realização de um projeto é uma forma de incentivar o aluno a ir além daquilo que aprendeu, explorar as possibilidades de outras áreas e, assim, fazê-lo ver que suas competências e trabalho são importantes.

Além disso, é importante trazer as aulas para a realidade dos alunos. O aprendizado com práticas aliadas às necessidades do mundo contemporâneo estimula os estudantes a buscarem soluções para problemas reais. Essa também pode ser considerada uma forma de valorizar o aluno, e evitar a evasão.

A modernização das instituições de ensino superior (IES) também é necessária, pois, na preparação para o mercado de trabalho, as IES também precisam se mostrar efetivas para atender essa demanda. O ensino está cada vez mais em discussão social e passa por constantes reformas para acompanhar a mudança de comportamento da sociedade.

O fator de inovação e mudança não deve ser encarado com receio, mas sim como uma oportunidade de divulgar que a IES está em dia com as demandas de mercado.

Estimular a criatividade na educação é uma forma de reter os alunos nos cursos e atrair novos estudantes, preparando-os para a sua vida profissional.

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